quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma Perna Depois Da Outra.

Ontem eu subi na cadeira e mijei na mesa do bar. A mesa central daquele bar onde no dia seguinte alguem iria comer seu peixe sem saber de onde vem aquele cheiro. Gostaria de mijar, cuspir e gozar naqueles pratos saudaveis acompanhados de cerveja aguada e comentarios rançosos. Nao existem iguais e ja enjoei de sorrir pra mostrar que somos amigos. Parado na areia acompanhando o contorno da agua senti a perfeiçao transparente do que seria um revolver na tempora abrindo a janela. Gotas escuras com mar salgado e cheiro amargo em circulos. Sem camisa abaixei a mao e corri os dedos na cabeça vermelha. Nenhum calor. Talvez eu pague pra ver mendigos fodendo no lixo em troca de pedras. Eles aceitariam coleiras e cintas?

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Noite Do Foda-se.

Queriamos perder o controle e classificamos aquela noite como A Noite Do Foda-se. Alienaqtor(THC), Marroquino(2c-e e cocaina), Azeredo(2c-e) e eu(25-c e cocaina). Todos nos nos drogariamos no caminho pra algum lugar aleatorio. Testosterona reprimida em caras criativos com muita quimica na saliva.   Depois de conviver num mundo de idiotas irreais precisavamos explodir na ultra realidade. Nao ha guias confiaveis quando todos estao chapados. Rodamos pra fora da cidade e paravamos em pontos escuros onde o vento era forte e podiamos ouvir o mar. Sem lua, nuvens carregadas moldando detalhes cortados na chuva inconstante e lama subindo no carro. Meu 25-c deu a largada. Lingua amarga iluminando o cerebro arredondando luzes nas batidas sincopadas de um semi temporal. Euforia e bem estar de peixe na bolha amniótica temperada. Parecia o beco do mundo. Bar, lagoa e praia. Ninguem por perto. Quilometros de ausencia. Qualquer luz era o reflexo de zonas mudas. Marroquino preparou a carreira e deu o tiro. Outra pra mim e o amargo bateu na garganta. Narina dormente. Gengiva dormente. Boa qualidade. Azeredo procurando qualquer sinal mas nada ainda. Digo pra ele se acalmar e se preparar pruma trip longa. Novatos tem pouca fé. Partimos e caimos numa praça. Azeredo se lembra de ter ficado la com uma ex e solta um urro: ISSO É BOM!! ISSO É MUITO BOM!! Olhamos pra ele. Parecia outra pessoa. Sua voz esganiçada ficou rouca como a de um funkeiro no cio e eu vi em sua cabeça um elmo com chifres nos lados. O elmo de capricornio. EU QUERO UMA PUTA!! UMA PUTONA, NAO UMA PUTINHA!! Entre o espanto e o riso minha trip entrou num loop roçando o infinito. Era o anti-Azeredo. O macho alfa sem controle que segurava agressivamente uma cabeça imaginaria e forçava esse boquete sufocante com suas memorias. Grotesco. Quase pulou do carro e nos desafiou pra entrarmos num cemiterio. Antes de respondermos ele estava la dentro sobre um tumulo. Eu observava. Novamente na estrada e a coca tinha subido e trepava mordendo o pescoço do 25-c. Eu gritava pela janela e os pingos quase cortando meu rosto eram prazer em crescendo. Nenhuma noite é tao linda quanto a noite quimica. Alienaqtor conduzia a musica no seu note e na beira da estrada saimos. Azeredo incontrolavel gritava sobre estarmos dentro do utero de uma piranha e em cada buraco que passavamos vinha o risco de atolarmos e em cada risco o homem capricornio nos ameaçava: ISSO É UMA DOENÇA, UM CANCRO, SIFILIS OU AIDS. VAMOS TODOS NOS INFECTAR!! Eu ria e nao parava de  ver as alteraçoes surreais vindas da combinaçao NBOME/setting. Sensaçoes epicas e visoes distorcidas. Marrocos fungava e seu bem estar so perdia força pelo medo quando Azeredo gritou na frente do corpo de bombeiros: VOCES SAO TODOS UNS FRESCOS! SEUS MERDAS!! Ou quando o mesmo tava querendo brigar com um bebado num boteco para pegar a namorada sem dentes dele.  Em outra praia Azeredo desafiou Poseidon e nos chamou pra briga. Ninguem brigou com ele ate que uma viatura veio pelo mato e dois policiais nos revistaram. Encontraram so a coca e a maconha e foram embora fazendo questao de nos mostrar que nada foi roubado. Saimos de la e voltando pra lagoa pedi para pararmos. Aquele nada cortado por uma trilha de terra me puxava e quando percebi estava longe o suficiente pra nao ver carro, amigos ou suas luzes. Era como ser chamado e nao poder negar. Nao havia sentido alem do andar em si e isso me aliviava. Passei da lagoa e cheguei numa praia enorme e cinza. Eu era o editor dos meus sonhos, e temia que em qualquer momento as luzes seriam acesas e o momento passaria. Marrocos me encontrou pelo celular e Azeredo estava exausto. 2c-e é pra maratonistas e seu corpo estava quebrando. Delirios entre colegiais japonesas e Odin. Estimulos beliscavam e se pudesse se fecharia numa concha perfeita. Rodei no cel um porno pra brincar de tortura e ouvi a angustia do deus caido.  Um porco enorme cruza o carro. Falta pouco pra amahecer.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Freebase DMT E As Criaturas Flutuantes.

Eu nao tinha certeza de como fumar ou preparar aquele freebase de DMT. Sabia da facilidade de queimar tudo da maneira errada em menos de trinta segundos. Tu le uns tutoriais mas faz muita falta alguem para te guiar nos passos. Sem guia so sobrou me jogar de novo. Se fizesse merda poderia repetir ate acertar ou chegar bem perto do acerto ja que eu tava com material sobrando mesmo. Me sentia confortavel. Deitado no puff, com ar condicionado na temperatura ideal, boa musica e dois amigos na contençao.  Preparei meu micro bong sem agua e derramei menos de cem miligramas na tela. Cobri com papel aluminio e fiz uns furos. A chama do isqueiro e puxei. Nao vi fumaça mas senti o gosto parecido com plastico. DMT nos meus labios. Merda. Passou pela tela. Refiz o trabalho agora com duas telas e decidi tirar o aluminio de cima. A ideia era queimar de vez o DMT e mandar pra dentro toda a fumaça num tiro. Mesmo errando feio na primeira tentativa meu corpo ja estava diferente. Um relaxamento forte e sensaçao de irrealidade. Psicodelia ainda zero. Queimei e a fumaça veio. Menos agressiva pra garganta que maconha. Alguns segundos e fechei os olhos. Formas quase etereas flutuando e parecia que eu estava solto num espaço que se moldava com a minha aproximaçao e desejos.  Passavam imagens de "pele" semi transparente e cores fluorescentes internas. Quase criaturas abissais mas sem nenhuma agressividade. Azeredo quis conversar sobre politica com Marroquino e a trip desmoronou. Enquanto ele falava a sua representaçao grafica triturava os icones na minha mente. Queria que ele parasse imediatamente mas eu estava cheio de uma inercia lisergica absurdamente pacifica. Abri os olhos e disse para ele se calar. Serviu de nada: o forte da trip se foi. De todas as drogas que ja usei essa é sem duvida a mais delicada no que se refere ao meio externo. Ela pede relaxamento e poucas luzes. Nenhum som ou no maximo musica agradavel para voce. Mais do que nunca eu nao entendo como alguem pode viajar pra casa do caralho pra ficar no meio de um grupo de religiosos cantando musicas saidas das fantasias de um retardado com complexo de messias e beber aquele liquido com gosto de cu de porco. Me parece inimaginavel vivenciar de maneira pura a experiencia do DMT seguindo as regras do tomadores de ayahuasca. Sei que posso ir ainda mais fundo no freebase. Regularei melhor o IMAO e nao cometerei os mesmos erros na hora de fumar. E silencio absoluto como regra de ouro.

sábado, 30 de novembro de 2013

Bong Trincado.

Era fumaça concentrada. Um quase desespero por qualquer coisa e a agua do bong ficando escura limpando os tiros de medio calibre que escalavam a garganta com pregos na sola. Tanta força de um utensilio aparentemente tao simples. A tosse e o voo. Varias arvores alinhadas naquela mini floresta sem sol. Genialidades por trinta segundos e a submersao quase amnesia. Seda é como futebol e barzinho com amigos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Quando A Quimica Encontra A Fome.

Fomos pra parte mais isolada da lagoa e as nuvens preguiçosas garantiam o clima que eu queria. Sol no talo é pra quem ta firme na melanina. Por pouco nao sai albino e meu protetor solar havia acabado. Andreia e Fernanda com 25c molhando as pupilas, Marroquino esperando por milagres THC e eu nos primeiros sinais da iluminaçao metilona. 200mg pra começar. Mais 400mg de apoio aguardando no bolso. Sei que era ate exagerado mas o meu prazer so vale se for ate o fim e eu tiver apenas que me preocupar com a violencia da queda. Um local bonito tem que estar sem idiotas por perto pra mostrar do que é capaz. Funk ou pagode espalham no vento um odor tao deprimente quanto as conversas de domingo em volta da TV por jovens e velhos batendo corrida com baratas embaixo dos moveis esburacados. Ia ser ali, sob as arvores retorcidas e de frente praquela agua que ia ate a moldura do horizonte. Fernanda estendeu a canga e Andreia soltou as musicas. Passando pelo espelho Fernanda se encolheu de frio e sentou ao meu lado, encostando em mim. Andreia deitou perto da gente e e aquela bolha quase um aquario de vibe simbiotica ja ganhava formas. Marrocos parou num tronco so esperando pra ver que possibilidades sairiam da gente. Fumou mais um e foi andar pra sentir e calcular. Meu corpo tremia e nisso a pele da Fernanda tocando na minha lançava micro tentaculos de calor convidativo. Os cabelos dela eram seda e libido e aquela boca jogava meu instinto no controle. Olhei pra Andreia ali tao perto e todo meu tesao reprimido por ela ja nao estava dando a minima pra qualquer regra. Passei a mao em sua cabeça e ela sorriu. O sinal tava verde. Aproximei meu rosto e ela retribuiu. Labios, calor, texturas e suor num loop de vibe crescente, surreal, egoista e maravilhoso. Os tres se apertando querendo a fusao do prazer lisergico-serotonergico  com saliva, pequenos gemidos e maos se perdendo entre pernas. Marroquino voltou e sua expressao era a de um etiope faminto. Em poucos minutos elas tambem o beijavam e eu so conseguia pensar no quanto eu gosto da quimica moderna.

domingo, 17 de novembro de 2013

A Arvore Bem Depilada E Amanda Em Todos Os Lugares.

Ninguem fica tao exposto quanto no pico de 25c. Eu podia ter ido pra praia mas preferi ficar e observar o Vini na sua primeira trip. Nao existe nada de novo numa multidao pegando sol mas sempre posso me surpreender com as reaçoes de alguem sob efeito de psicodelicos. 75% do blotter com quantidade desconhecida de microgramas mas tava balanceado. Ceu ou inferno so dependem da pessoa que vai tomar o quadrado. Vini trampa com arte. Geralmente penso que so artistas deveriam experimentar esse caminho. É serio. Quem nao tem muita imaginaçao nao tem trip de verdade, so fica chapado, idiota, hippie, e isso pode ser feito com um copo de cachaça.  Beleza, sei que nao é exatamente assim mas pra mim da quase no mesmo. Tem uma praça na cidade que ele gosta e ia ser la. A luz tava otima, o vento macio, o clima confiavel e poucos idiotas por perto. Pra começar veio o bem estar. O cara ficava mais e mais feliz e quanto mais felicidade menos defesas e quando as defesas caem muita coisa aparece. A partida veio com os pes de Daniele. Se eu fosse um orc ate que acharia ela bonita, mas nao sou e fiquei entre o riso e um nojo divertido enquanto Vini descrevia todo empolgado suas fantasias com os pés daquela garota quase menino. Outra camada cai e Daniele abre espaço pra Renata. Renata o icone da fertilidade e sexo doce. O cheiro da grama era perfume Renata no ar levemente agitado da respiraçao Renata na mente fabrica do Vini em produçao descontrolada de delirios coloridos e quentes. Renata estava gravida novamente de um filho nao dele e o que sobriamente era aceito naquele momento era cristal sujo de desapontamento. Nao era mais o sujeito desapegado mas um pai sem crias ajoelhado em adoraçao absoluta enquanto acaricia o banco da praça se entregando a fantasia de tocar a barriga estufada de cinco meses de Renata. Minima dilataçao das pupilas e sentimento de beatitude. Cinco delicias suburbanas passam e ele fareja pelos olhos. Cada detalhe livre de julgamentos sociais. A arvore mais proxima se move, dança e se insinua. Dilataçao mediana das pupilas. Existe uma marca parecida com os contornos de uma boceta onde havia um galho. A arvore Renata tem uma boceta. Vini se levanta e vai ate la. Passa os dedos nos labios vegetais e me diz que estao umidos de seiva e vem correndo mostrar como se fosse um adolescente que acabou de tirar a mao de dentro das pernas da filha safada de um pastor. Eu ja enfiei o pau num pepino oco mas nao tive nenhuma empatia por ele. Vini estava apaixonado. Apaixonado ate o NBOME abrir a porta pra Amanda. Amanda é o fantasma de Vini. Uma relaçao autodestrutiva mais baseada em sonhos que em qualquer situaçao palpavel. Vi que algo pesado estava pra chegar e partimos pro estudio. Deitou no puff  e botei a seleçao de musicas no PC. Nao demorou muito e o que ele sentiu foi uma absurda carga emocional de anos virando dor fisica. Rangia os dentes com odio e agitava os braços tentando estrangular lembranças pontiagudas. Naqueles momento eu sei que ele seria capaz de matar alguem, principalmente o ex namorado de Amanda. Orgulho de macho ferido so sara mesmo quando ele mostra pra todos que virou o novo alfa depois de humilhar ou pisar no pescoço quebrado do concorrente, nao importa o quanto nos façam tentar acreditar em placebos civilizados. Nao adiantava ser racional com Vini, ele nao conseguia. Esperei e continuamos conversando. O alivio dele foi profundo, como quem sai leve de uma guerra escrota. Tomou o que havia sobrado do 25c e passou o resto da noite em visualisaçoes mentais  fantasticas e incrivelmente complexas.

domingo, 10 de novembro de 2013

Realidades Quimicas.

Marcus fechou os olhos e viu um tunel. Quando eu estava com ele nao havia imagens alem das captadas normalmente. Ficou introspectivo, nao disse quase mais nada e iniciou um programa interno de decodificaçao. Parecia com o meu padrao. Fui embora e as mudanças vieram. Parou pra analisar sua sombra cruzando a piscina vazia e mergulhou em novos padroes pictoricos emocionalmente linkados em sobreposiçoes. A transparencia no meio do turbilhao era o cuspe de Maya. Voltou pro quarto e finalmente entendeu o que eu quero dizer sobre perceber o mundo no formato full HD.  Ge pensou que iria morrer. Seu corpo secava por dentro e por fora e aquelas luzes intensas nao eram normais. Se agarrou em Lucas porque seu melhor amigo era a segurança no pesadelo oscilante e implorou por agua. O que ela via era a sua instabilidade manca e explicita tentando nao cair nas ruas daquela cidade tao indiferente aos seus medos. Luiz aponta para um trol inexistente e ela quase sente a respiraçao sufocada de sua angustia reprimida. Alguns segundos se passam e a garota sorri nervosa dizendo que tudo esta bem. Marroquino me pergunta pela oitava vez sobre o que ela havia acabado de dizer enquanto tenta tirar as cinzas do cigarro que nao acendeu. Serotonina e dissociaçao molhadas em vinho verde. Ele esta feliz. Exclama sobre o absurdo de artificialidades perfeitas e decide se testar na praia. É noite e sabe que nao ira dormir pelas proximas doze horas. Isso nao tem nenhuma importancia. Serao horas agradaveis perdido em si mesmo. Harlem vai entrar em panico. Emoçoes zipadas se descompactando sem controle e tudo sera jogado na pricipal avenida da vila. Esta quase correndo e as pupilas estaladas refletem irrealidades pungentes. Tenta atravessar a rua na frente do primeiro carro mas seguro seu ombro. Fita minha mao numa carranca histrionica e acho que vai me agredir. Tenta atravessar de novo na frente de outro carro e repito o gesto. A expressao ganha definiçao e solta palavras de contorno. Homofobia. Sem outro carro vindo ele cruza a pista e ve em cada bairro dedos manipuladores das pressoes sociais que aguentou por decadas. Quase grita pra grupos de amigos vestidos como mendigos jogados em calçadas e escuta o desespero quando nota que estou fardado como um general nazista incumbido de sodomiza lo e carrega lo pro inferno cristao de seus pais.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Suor E THC.

Eu gosto de regras, mas so das minhas regras. Eu gosto de maconha e por isso fumo tao pouco, tao controladamente, ate que veio essa garota com sotaque carioca carregado e suas tatuagens. Mulher com sotaque carioca faz voce pensar quase automaticamente em como sexo pode ser sujo e bom. Dois dias atras eu havia dropado cristais malhados de MDMA, derretido e ainda me recuperava. Mas eu estava la com ela, naquela praça deserta. Sentada na mesa apertando o cigarro e os dreads sobre a clavicula. Acendeu a ponta, puxou e passou. Olhei pra ela e me segurei. Queria beija la chapado. A onda chegou e nem reparei o rosto dela encostado no meu como tambem  nao percebi o momento em que quase tiramos nossas roupas na espera do taxi. Entao nao havia mais ruas ou carros mas um colchao molhado e minha boca deslizando entre pernas suadas. Nenhum dos dois conseguia parar. Eram movimentos compulsivos, automaticos e fora de conexao com qualquer outro tempo que nao fosse o nosso. Toda experiencia sinestesica do THC condensada nas possibilidades do toque. As vezes pensava que ia desmaiar e outras que minha cabeça explodiria. Metia e confundia o agora com uma corrente continua marcada pelos gemidos do proximo orgasmo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

350mg.




Uma Ferrari, uma mansao, ganhar na loteria ou orgias com as dez mais gostosas e depravadas. Eu converteria tudo isso em quatro letras: MDMA.  Por que? Porque nao quero status eu quero derreter em prazer bruto e invadir o paraiso chutando toda a inutilidade sagrada e ocupar o trono de deus. Nao é pretensao, é metilenodioximetanfetamina. E finalmente eu havia conseguido 1gr em cristais. 88,4% de pureza mas tava otimo. Com 150mg eu teria o suficiente pra invocar o diluvio serotonina e me deixar bem quieto la no fundo triturando o maxilar. Convoquei Marroquino pra Jihad hedonista e percorremos a cidade feia atras de um local pro mergulho. Paramos numa balada wannabe playboy. Garotas deliciosas com olhares bovinos e carinhas  malhados em roupas de grife mas com a personalidade de um escarro que nunca sairá da garganta.  Entramos e saquei o lugar. Iluminaçao amadora, palco preparado pralguma banda merda e seguranças em cada canto. Fodam-se os seguranças. Eu poderia pendurar os cristais na orelha e nao seria ameaçado. Realmente fiquei na duvida se nao seria um grande erro usar aquilo no meio daquela pecuaria de novilhos bebados mas Marroquino ja mandava os dele pra dentro. Segurei pra ver qual é. O que o DJ tocava poderia ser interessante pra minha tia mais velha. Acredito que DJs de cidades pequenas fariam um belo tributo a musica se enforcando em banheiros de hotel. Em silencio. Começou a rolar forro universiterio. Marroquino pulava e eu fiquei feliz por ele mas me imaginei com o corpo cheio de bombas explodindo no meio da pista. Olhei a hora e vi que se eu nao tomasse agora ficaria muito tarde e num ato de fé abri o plastico e despejei  o amargo na garganta. Pronto. Eu ia ficar chapado no meio de pessoas que me fazem pensar em genocidio. Observei Marroquino e vi que a vibe dele nao aumentava quando ja devia estar no pico. O que estava rolando? Vieram os primeiros sopros da minha brisa e tao rapido quanto chegaram se foram. Meu dealer preferido me enganou? Errei na dose? O pior é que eu tinha prometido ao Marroquino a melhor trip de prazer da vida dele e terminaria nesse fiasco? Nao comigo. Saimos de la correndo, pegamos um taxi e catei os 700mg restantes de MDMA. Botei uns 350mg para cada e tomamos. Antes uma OD que ficar no vacuo. Taxi de novo e a mesma balada. Mal chegamos la e Dionisio ja veio me abraçando com cara de puta que quer te prender com uma foda de quebrar quadril. Senti que chovia em mim e cada gota me levava mais perto de um orgasmo. Nada daquele orgasmo basico que vem do pau, mas um gozar absoluto, azul e completamente refrescante. A banda tocava funk mas o que importava era a vibraçao da musica. Ondas sonoras como punhetas etereas excitando celulas e dissolvendo moralidades agonizantes. Os olhares de estranhamento das ovelhas nao eram mais que felicitaçoes por eu ter cruzado a fronteira invisivel e o flerte entre casais soava como a primeira silaba balbuciada por uma criança esqualida em alguma regiao faminta da Africa. Marroquino sorrindo era o proprio Cheshire e demos uma volta no salao. Nossos pes nao eram carne e ossos mas algodao e verdades nao mais represadas fluindo ate nossos olhos. A banda foi embora e encostei no palco vazio. As caixas de som ficavam na altura das minhas pernas e a pressao que soltavam em minhas panturrilhas envergonhava os melhores boquetes das melhores putas. Saimos de la e Marroquino maravilhado por nunca ter reparado na beleza daquele ceu amanhecendo ou nos detalhes ocultos daquela avenida geralmente tao cinza.





















segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Dança De Acasalamento Do Panda Chapado.



Raves. Embora as vezes eu passe em algumas elas de certa forma ainda sao um misterio pra mim e a unica funçao obvia que vejo nelas é a possibilidade de um grande publico poder se drogar sem que pais e conhecidos incomodem. Nas ultimas que participei tive que assistir homens e mulheres extremamente sarados fazendo cara de qualquer coisa menos de quem ta curtindo o som numa dança ritualistica pra formar um par ideal pra que assim pudessem ficar na pista de maos dadas e sem nenhuma interaçao alem do basico. Bonecos esculpidos com varias horas por dia de academia e muito tedio. Saca espontaneidade? Ja era. O outro grupo é formado pelos chapados assexuados. Nao se tocam ou se olham, o unico motivo de estarem la é a musica na vibe da quimica como se sexo fosse algo sujo e indigno pro verdadeiro fan de musica eletronica. Realmente acredito que o publico atual de rave deveria passar um tempo em bailes funk do Rio ou festas de Sertanejo para aprenderem sobre como interagir com o sexo oposto. Odeio funk ou sertanejo mas nessas baladas tem pegada de verdade. A mulher olha com cara de quem sabe o que quer, voce chega e nao precisa falar muito. Isso se a mulher nao encostar em voce.  Podem ser uns idoitas mas ao menos tem um contato muito mais franco com a sexualidade. Melhor ainda: poderiam fazer estagio em boas baladas GLBT onde musica, sexo e drogas combinam perfeitamente. Ainda me lembro da ultima rave. As garotas olhavam pra mim por menos de um segundo, davam umas voltas pra terminar dançando perto o suficiente para eu ficar na duvida se elas estavam dando mole ou se foi so um movimento aleatorio. Pior quando usam oculos escuros enormes e viram pra sua reta. Qual o problema do olho no olho?? Parece que estao cada vez mais reprimidas sexualmente. Ou drogadas de mais para sairem do seu mundo idealizado. Como que heterossexuais nao pensam em suicidio 24 horas por dia?

2c-e Do Vazio Ao Tesao De Um Cão Lisergico.

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Alguns eu conhecia e outros nao. Todos na van prum local tao distante que nem o motorista sabia chegar la. Bom humor, gritaria e bebedeira. A  boa quimica ficaria pra mais tarde. Seria a minha estreia no 2c-e e depois de ler certos depoimentos acabei ficando meio preocupado. A van se perdeu, se encontrou e paramos no sitio. Tarde pra caralho e os portoes ainda fechados. Geral fazendo suas compras e dropando pras horas alegres. Segurei o meu. Precisava sacar a parte interna pra calcular as possibilidades de vibe. Definitivamente essa turma se satisfazia com pouco. Lugar feio estilo grande garagem abandonada do seu tio avo. Varias velas espalhadas teriam um efeito melhor do que as luzes de la. Um dia devo promover uma festa para ensinar como explodir de verdade os sentidos. Cidade pequena é foda. Andrei foi de 25c, Garota Tatoo, Nay Nay e Novata de 2c-p. Arrisquei e engoli o 2c-e. Foda se a trip alheia de foruns gringos. O que vier eu vou domar mas se intoxicar de mais so me isolando. Hospital seria luxo. Duas horas depois Novata abria seus primeiros sorrisos sem certeza do que estava por vir e eu cada vez virava mais uma folha seca deslizando num cenario lisergico. Imagine voce vendo os efeitos psicodelicos do LSD mas com seus sentimentos embotados e absurdamente superficiais. Se essa fosse a pira da noite eu ficaria realmente desapontado. Meu ego diminuia a ponto deu ser um observador oco da festa alheia. Ego death na roça nao é a minha perspectiva de diversao. Parei perto de Andrei e suas garotas e dei um tempo pra ver se mudava. Mudou. O que eu via estava fazendo conexoes emocionais comigo e aquelas pessoas dançando viraram a representaçao do mais belo caos. Pulavam e gesticulavam, flertavam e eram ignorados, suavam, quebravam pirulitos em suas chuvas internas de serotonina e liberavam psicoses nos braços de Alice. Shulgin estava presente e havia nos adotado. Minha coordenaçao motora caiu pela metade e escolhia meus passos como quem tinha acabado de engatinhar. Colei na area mais agitada e aos poucos fui imergindo no aquecimento de personalidades dissolvidas e batidas hipnoticas. Me afastei e reparei na absurda beleza de varias pessoas. Engraçado que com o 25c elas ficavam tao alteradas que pareciam caricaturas de traços absurdamente exagerados mas no 2c-e o que mais chamava a minha atençao era a beleza. Quem era feio ficava quase invisivel mas os belos e belas ficavam obsessivamente em destaque. Sentei ao lado da Garota Tatoo quando uma gota caiu na sua perna coberta de desenhos. Em menos de dois segundos imaginei como seria passar de leve a lingua na marca dagua, morder a sua pele aos poucos e destaca la daquela coxa como quem tira a pele de um amanita muscaria pra fumar. Eu fumaria alegremente aquela pele tatuada. Sai do transe e Novata estava quase na minha frente, dançando como Shiva e suando e me jogando em novo transe onde eu bebia seu suor ate sumir com minha boca entre suas pernas. Meu tesao pela Novata era algo que so quem ja dropou pode entender. Meu pau nao estava la mas eu queria quase desesperadamente tirar seus short branco e foder com ela bem ali na frente de todos. Como? Nao tenho a menor ideia. Voltei pra cidade de onibus com Andrei, Garota Tatoo e Nay Nay. Meus olhos sobrecarregados de brilhos e cores sem controle.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

11mg De 2c-p E O Silencio.


Sempre que me drogo procuro com isso tirar alguns filtros para perceber algo novo de maneira ainda mais inedita, mas a pessoa que percebe sempre sou eu. Minhas experiencias moldando paisagens. Parti com Marroquino prum fim de mundo agradavel, acampamos e tomei 11mg de 2c-p. Primeira vez. Toda quimica desconhecida é uma promessa de possibilidades excitantes. Por mais que tivesse lido relatos de pessoas sob essa influencia e soubesse que a minha fonte é uma das melhores o fato de nunca ter estado la soltava adrenalina no meu sistema praticamente insone. Duas horas aproximadamente apos a ingestao e deitei numa rocha com meus pes tocando a agua do riacho e notei que as nuvens se agrupam em camadas. Umas baixas e outras quase em outro ceu. Uma gigantesca comunidade de nuvens. Galhos de arvores antes de tudo e tudo em tons mais escuros, quase como num sonho noir e a sua persona se afastava mais de mim. Uma irrealidade de quem caminha entre a chuva inexistente numa tarde de verao. Fomos ate o topo de uma pedra e sentei. Marroquino voltou para pegar a maconha na barraca e pensamentos tomavam varias formas. Engraçado que a maneira  de pensa los nao parecia minha. Era como se um outro cerebro pensasse com as minhas memorias. Tirei folga de mim mesmo mas essa adaptaçao pro outro eu era desgastante. Desci a pedra e fiquei surpreso com minha coordenaçao motora precisa. Nunca aconteceu isso comigo com outra droga. Eu estava na trip mas o corpo parecia nao se importar e essa trip nao explodia como o 25c-nbome mas se mantinha estavel e nessa estabilidade incontaveis situaçoes poderiam ser exploradas. Nao havia a necessidade de se jogar em momentos de pico ja que essa estabilidade dava a segurança daquilo que estara la por muito tempo. Com a noite fizemos a fogueira e a chama me trazia mais paz que excitaçao. Foi um contato com algo antigo, familiar e necessario. Na madrugada enquanto Marrocos dormia fiquei entre a cachoeira e as montanhas, sem lua mas acompanhando vaga lumes fazendo a corte. Praticamente nada podia ser visto mas eu sentia o lugar com calma e conforto. Encostei proximo da agua que corria e me masturbei fazendo um brinde ao silencio. No inicio da tarde no caminho de volta eu estava leve e com um senso se apreciaçao estetica muito afinado e levemente onirico. Provavelmente ainda um pouco chapado. Encaro o 2c-p como uma substancia pra usuarios de nivel medio ou avançado. Ela tem sutilezas que podem passar despercebidas por baladeiros de fim de semana. Uma droga pra ser degustada com calma e atençao.

domingo, 29 de setembro de 2013

Belezas Ordinarias.

As primeiras coisas que vejo quando acordo sao mentiras. Ou meias verdades. Sao as informaçoes necessarias pra minha funcionalidade. Comer, procurar proteçao e tentativas de integraçao no cortador de duvidas. O mundo reproduzido num video de celular barato. Definiçao suficiente pra voce pensar em preto e branco ao som de adolescentes com corpos de chimpanzes disformes gritando por orgias em chiqueiros sob holofotes sufocantes. Se excite e dance com porcos. Hoje eu tive a ideia insistente de atravessar o espelho e ver prostitutas se contorcendo e expondo suas bocetas tristes em palcos rançosos. Marroquino chegou e dropei quase todo o meu ticket 25c. Meu pe esquerdo tinha passado a fronteira e meu corpo ja tremia. Sempre tenho esse frio quase descontrolado pra me dar boas vindas. Encaro como um grande amigo levemente inconveniente mas altamente confiavel. Puteiro. Putas. Mau gosto. Nos sentamos e uma vem dar boas vindas. Baixa com pernas grossas e pele seca. Eu via as ranhuras e troquei palavras diplomaticas. Outra com rosto suino e coxas quentes me disse que eu parecia seu primo. Me senti um pouco ofendido com isso. Funk e frases estupidas cercavam com arame farpado minha vibe que se debatia. Nao estava dando certo. Marroquino queria fumar um e vi nisso a chance de fuga. Partimos e dentro do carro ele convidou as musicas certas. Eram fumaça sonora abrindo caminho pra afirmaçao do invulgar num crescente de alivio pré jubilo. A estrada brilhava e o outro pé tambem atravessou a fronteira. Os abraços inesqueciveis da quimica. Marrocos sempre foi um pouco paranoico sobre onde desbolotar a maconha. Ve policia em pipoqueiros e nessa neura estavamos fora da cidade passando por caminhos solitarios e escuros. A real é que nunca fiquei tao feliz pela neura dele. Enquanto o carro deslizava pelo semi vacuo eu tinha insights pra escrever varios livros e as arvores desnudadas pelos farois carregavam a harmonia de decadas que se escancaravam obscena e gentilmente pras minhas pupilas famintas. Chegamos. Um caminho entre canaviais enormes e uma BR no fim da visao. A escuridao bebia do 25c e com dez dedos puxava de forma amante conexoes timidas mas resistentes na melhor combinaçao em carbono. Sabia que tava frio mas o que deveria ser desagradavel se convertia em possibilidades quase orgasticas de trip e os menores estimulos agregavam links perdidos em neuronios caidos  ou sem esperança. E eu via esses filamentos de conhecimento se multiplicando intrincadamente numa rede prateada. A trilha sonora substancialmente religiosa gregoriana ou budista botou em rubro conceitos sobre certo e errado na devoçao ao nada e auto anulamento pra se descarnar completamente na abobada da amplitude absoluta. Eu delirava e frases saiam em descontrole enquanto minhas maos se contorciam empurradas pela sonoridade ambiente. Sacris Solemnis era eu e a paisagem e de repente Marroquino gargalha e percebo que sou um frito dançando na neblina em espasmos suaves sob um ceu sem lua.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fomes Diferentes.

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Provavelmente apenas tres pessoas ainda fazem ele ficar duro. Uma medica. Uma amiga de ideias que adora gatos. Um jovem modelo putinha. Se nao forem eles fico so com as drogas. Se eles vierem trazendo alguma quimica melhor ainda, mas to em periodo de pesquisas e nao vou daqui ate ali por incertezas. Desconto na punheta porque minha imaginaçao permite e ja ta otimo. Dia desses cobrei uma aposta e ganhei um boquete. Ela queria mais mas eu pensava nas caricias amargas de um MDMA de alta pureza rolando na garganta. Uma lingua contorcionista ainda precisa do sustento de um cerebro sagaz. Fazer o que? So cara de tesao nao ganha porra. Pelo menos nao a minha.

domingo, 22 de setembro de 2013

Praia, Banheiro Sujo e Psilocibina.









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Eu tinha 3gr de Panaeolus Scyanescens e um tedio cantando suicidio na cabeça. Sexta feira de manha, sol limpo la fora e ninguem que preste pra chamar. Idiotas na agenda, idiotas no face book e idiotas nas calçadas correndo pra cruz mais proxima. O cogumelo tinha cara de mato muito, mas muito seco mesmo. Me imaginar comendo aquilo ja parecia doentio. Ate uns dias atras eu ate vinha pensado em fazer a trip na area do Alexandre Mury mas quando conheci o cara pessoalmente escutei o barulho da descarga. Artistas. Pessoas desesperadas pra tampar com tecidos finos a merda que vaza das coxas. Aparencia, aparencia e aparencia. A sujeira cheirava como devia e ele fez aquele sorriso nervoso e amarelo. A verdade dessa gente é a imagem controlada do click da camera, da maquiagem precisa feita em estudio no tesao melado de algum diretor no esforço de sorrir subversivo educado e ansioso pra participar de comerciais em horario nobre e quem sabe uma novela de grande audiencia. Descartavel. Praia! Depois de ter experimentado o kratom sem ganhar nenhum up em troca fiquei meio desconfiado. Mas o dia tava realmente chamativo e depois de um onibus e duas vans cheguei la. O estado do Rio pode ser campeao em gente tosca mas as suas praias menos populares sao fantasticas quando estao vazias. Sao otimas pra tripar sozinho. Cheguei e praticamente nao tinha ninguem la fora alguns pescadores. Abri o plastico e subiu um leve perfume de cu. Sera que esses vieram direto do pasto? Foda se. Paguei caro por eles. Segurei uns e mandei pra dentro. Gosto de cu. Cu crocante. Sentei e respirei a o local pra evitar o vomito. Gaivotas, agua quente correndo pelos pes e moinhos enormes girando la longe. Andei pela areia e fui sentindo uma integraçao solitaria e onirica com aquele vazio. Me impressiona como a solidao pode ser solida e capaz de me preencher. Nem quarenta minutos e os efeitos ja estavam chegando? Seria placebo se eu ja nao tivesse me jogado no chao pela força da vibe. Foi absurdo. Bolhas de cores se juntavam criando imagens e a plasticidade era completamente organica. Ali deitado vinha uma corrente forte de vento e areia e a areia me machucava e lutei contra a inercia do corpo e a viagem acelerada da mente. Os padroes de bolhas cores ganharam definiçao e pessoas e objetos viraram perfeitos desenhos de Alex Grey. Levantei pra me encostar numa arvore. Estava perdendo o controle. Praticamente nao conseguia mais falar e onde o sol batia ficava insuportavel pros meus olhos. Vi um mapa da minha vida emocional e num determinado ponto havia um caos absurdo, a sujeira de uma explosao e destroços espalhados. Cheguei mais perto e ao tocar nesses pedaços retorcidos veio uma dor imoral e pungente. Nao sei se me contive, talvez eu tenha chorado ali ou talvez so expressoes de desespero quando um senhor em forma de manchas instaveis perguntava se eu estava bem. Ele foi se afastando e junto com ele essa agonia. Na minha frente um banheiro abandonado, um refugio escuro e talvez imundo mas tudo que eu queria era uma ilha, uma fortaleza anti fotofobia e padroes aleatorios agressivos. Cambaleando fui entrando e me surpreendi pela limpeza ao redor. Poeira e manchas suspeitas mas sem poças de mijo ou papeis borrados. Peguei o celular e as letras e numeros afundavam dentro do aparelho, mudavam de ordem e significado, saltavam luzes azuis do meu pulso e essas luzes eram sugadas pelo telefone e do telefone tambem saiam luzes que eram absorvidas pelo meu braço e eu estava de olhos ABERTOS. Me fechei num box e deitei novamente. Todo o lugar trocava informaçoes entre si com luzes palidas ou mais acentuadas e o teto convulsionava harmoniosamente como nebulosas dançantes. A decadencia ambiente era uma ilusao porque havia uma beleza oculta e firme pros meus olhos de psilocibina. Passei meus pes incontaveis vezes naquelas paredes pra limpa los da minha sujeira. O filtro do mundo havia caido num novo nivel e a insanidade passava a lingua em meus ouvidos.

domingo, 15 de setembro de 2013

Just Push The Button.

So agora acredito ter conseguido digerir aqueles momentos. Talvez eu ainda estivesse com a minha racionalidade cicatrizando. De certa forma tive a sensaçao de que a maneira como me vejo podia estar deformada ja nos pes. Foi naquele morro enquanto o LSA nao sabia se seria o passivo ou ativo em sua relaçao com a adrenalina e meu coraçao entrava em combustao pelo panico e minhas pernas gritavam com uma boca cheia de caries. Eu ia morrer. Caindo do barranco entre pedras cobertas de vegetaçao seca e carros passando numa distancia de escarnio. Eu ia morrer e na certeza do que nao queria eu vi, nao sei se de olhos abertos ou fechados, um botao retangular saido do Windows 95 flutuando na minha frente com DEUS escrito bem no meio. Nao houve pensamento so reflexo e com a mao real ou com a dos sonhos eu o apertei e imediatamente a exaustao ganhou um bonus de 20% de energia-vida-potencia. Me ergui daquela beirada cega e desabei um pouco mais acima com um misto de alivio e vergonha. Eu estava vivo mas havia apertado a porra do botao DEUS. Adrenalina e LSA eram o nome de um unico hermafrodita. De quem eram aqueles 20%?? Eu estava em divida com quem??? Merda. Tudo era intensidade e jogar mais ar nos pulmoes superava a importancia de entender. So ontem depois de ter ingerido um kratom que nao fez efeito e  trocar ideias com Marroquino as conexoes ganharam forma. A definiçao da fé como o ato de se jogar sem pensar, sem questionar e abraçar a irracionalidade basica. O botao DEUS foi a completa negaçao do pensar, foi aceitar um apagao na minha humanidade racional e com isso usar os 20% dessa energia nao gasta. Percebi que deus estava no meu DNA de forma dormente e que esse DEUS botao continuava sendo eu. Nada mais que um eu de olhos completamente fechados e desumano. Esse eu/deus tambem é a besta e o caos e religioes e dogmas e prostitutas semi dopadas nas suas batinas e templos sao deturpaçoes dessa pureza capaz de devorar os proprios filhos para respirar mais um pouco, para caminhar mais alguns metros antes do esquecimento e da podridao reconfortante.

domingo, 8 de setembro de 2013

25C-NBOMe.

25C-NBOMe. Uma Legal High. Artigo para poucos no Brasil e eu ali, com ele nao mao e sem o espaço certo para usa lo. Nos foruns falavam tao bem dele que senti vontade de toma lo no quarto. Nao. Minhas trips nao seriam tao boas se eu nao tivesse controle sobre a minha vontade. As ultimas foram num morro isolado e depois num quarto cercado por velas e lençois. Ia acontecer uma rave na cidade. Rave de gente feia e fotos publicitarias com os idiotas locais segurando copos de cerveja e sorrisos de plastico. Com alguns contatos formei grupinho e fui. Antes de começar tocava funk e algumas vadias mexiam a bunda. Pensei em voltar, mas pra onde naquela cidade sem opçoes faceis? Meus conhecidos chegaram e disseram que melhoraria. Ato de fe ou desespero. Entramos.  Pegaram o espaço grande e sem graça e botaram um palco seco de criatividade. Passei a 25 pra algumas pessoas e so depois tomei o meu quadrado. Amargo pra caralho e depois de um tempo a ponta da lingua ficou dormente. Engoli. Menos de uma hora e os primeiros sopros chegaram inegaveis. Uma garota morena e simpatica dizia: "é o melhor doce que ja provei." Luzes corriam quando eu fechava os olhos e qualquer risada parecia se espalhar por quilometros. Meus olhos vagavam pelas pessoas e cabeças e ombros iluminados deixavam traços no ar. Aos poucos minha mente e meu corpo se esvaziaram e viraram redes pra captaçao da musica que vinha das caixas. Cada batida me atravessava mas um pouco ficava preso como graos numa teia, me preenchendo e aumentando a tensao ate que dançar se tornava obrigatorio em espasmos ritmicos e deliciosos em comunhao com milhares de outros. Entendi o poder que um bom DJ tem naquelas horas de manipulaçao sensual dos egos em transe. Algumas pessoas se aproximavam de mim com evidente desejo por carne e a minha repulsa era incontrolavel e sincera. Eu nao estava la para isso. Vi marombados caçando bocetas infladas pra fodas caninas. Vi um casal se pegando ao meu lado e sem esperar toda aquela libido se prendeu na minha cintura involuntariamente e a permeabilidade daquele momento estava se tornando explicita como uma punheta osmose de um fungo abissal. Meus polegares quase nao saiam dos bolsos e uma quase anã falou algo sobre eu ter acido mas eu nao queria seber de dinheiro ou qualquer ganho que nao fosse a vibe perfeita mas ela tinha uma lata de pepsi e percebi que estava sedento, a lata gelada e umida me chamando, agora entre meus dedos, espirais de pingos dourados flutuando e me seduzindo e aquele liquido num big bang branco e fluorescente criando pontes movediças de alegria de dentro para fora. Fogos de artificio explodiam e me espantavam, eu olhava pra cima e via lacteas de vaga lumes artificias e mudos morrendo pra me entreter sem nenhuma dor. Tambem era uma guerra e a bandeira era a integridade do eu no meio da tempestade dos sem nome etereos e quase todos ululantes. A luz mudou porque a manha foi sorrateira e silenciosa, restos de estrelas quase dormindo e decidi que estava na hora de ir embora. Peguei um taxi e percebi que vivia a manha mais bonita de todas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mescalina.

Quando bem novo eu sonhava com LSD e Mescalina. Hofmann e Huxsley eram as serpentes indicando com flechas de neon as formulas da desobediencia iluminada. Nao importava muito porque eu morava numa toca de coelho cercada por pantanos e cadaveres com odio nas barrigas inchadas. Sair para sufocar e se enterrar em repartiçoes publicas. Troquei minhas medalhas de futebol por cicatrizes morais e socos na boca. Cai e me deitei. Olhei pra cima e senti o medo se afastar da minha cama cercada por lençois e velas, egoismos caridosos e a musica monocordica  das helices de plastico. Nao sentia mais o gosto do San Pedro e afundava em espiral pelos olhos da incerteza corrosiva. O monitor ligado e a serpente nua e magnifica, se despindo, mostrando seus seios perfeitos e promessas em pus. Dedos longos e finos liberando gemidos abafados no tambor hipnotico de mentiras certeiras. Sua boceta flutuava sobre meu rosto e em cada poro eu poderia dormir  e esquecer. Pacotes de lembranças em detalhes e joias organicas quando tudo era noite. Num filme uma atriz linda sendo penetrada por dois caras igualmente lindos. Uma garota de expressao petrea no facebook e cheiro de cocaina em suas coxas frias. Gelo em minhas maos. Silencio e calma. Naveguei por horas em delirios de carne e esperma.

domingo, 18 de agosto de 2013

Queda Livre.

Como deveria ser. Acordo 7:25, preparo minha refeiçao e apronto as coisas na mochila. Entro na internet, passo um tempo e chego no atelier do Azeredo antes das 10hs. Esperamos por Marroquino que se atrasa mais de 1h. Encheu o estomago de leite e alcool na noite anterior, acordou tarde e passando mal. Garoto esperto. Ele chega com o carro e partimos pra comprar mantimentos e a maconha dele. Dois dias antes frisei com Azeredo: 'Sem frescuras! Se vai sair comigo prum lance desses nao vou querer saber de frescuras!" Ele concordou. Claro que ele iria concordar. A ideia do dia era a de pararmos o carro assim que vissemos uma paisagem foda na estrada, descer, nos mandarmos pra la, montar a barraca e cada um curtir o local da sua maneira. Argyreia comigo, ganja com o cara de Marrocos e vinho pro pequeno Azeredo. Drogas. Praqueles dois as drogas nao representam muita coisa. Calmante alternativo ou a timidez colocada no canto por algumas horas. Eu vejo algo diferente nelas. Em cada uma vejo uma parte da dança de Shiva e se voce for um suicida em busca do fogo sem duvida ira encontra lo e se queimara enquanto goza. Fora da estrada. Morros, um lago la longe e ninguem por perto. Cercas. Que se fodam as cercas sempre. Ia ser la. Marroquino procura uma garagem inexistente e com manobristas no meio da BR. Azeredo entra em panico. Panico por nao ver uma lanchonete no local que escolhi. Panico pela possibilidade de ser pego invadindo uma area gigantesca sem turistas adolescentes desesperadas ou putas semi humanas de 30$. Querem o bom camping padrao e a segurança padrao pro seu medo padrao com cheiro de enlatado aberto, esquecido e podre num freezer recem comprado. Digo nao e nos separamos. Fico mais leve. Barraca e comida com eles. Argyreia e obsessao comigo. Como oito sementes, pulo os arames e continuo. Corrida. Tenho entre duas e tres horas pra encontrar um local tranquilo antes da trip tomar conta. Nao havia um caminho definido para se chegar ate o lago. Mato alto, lama e trilhas quase apagadas. Ando na beirada escorregadia de uma elevaçao e sigo o instinto miope. A vegetaçao machuca e abaixo minha sensibilidade pra nao desistir. Galho de arvore caido e por alguns segundos voltar parece ser a melhor escolha. Foda se a melhor escolha. Eu tinha que avançar. Quase caio, seguro em raizes expostas e vejo la embaixo um bezerro em inicio de decomposiçao. Que os indianos chorem por ele. Abro espaços e ganho confiança mas ainda sou um coelho. O mato encolhe e arvores se debruçam sobre a agua. Olho pra tras e sei que quando o LSA bater sera impossivel refazer meus passos. Foda se. Trip. O lago se estendia por morros e era no topo dum desses morros que eu iria ver a reconstruçao do mundo. Tudo ja estava mais brilhante e minha coordenaçao motora perdia força. Procuro o melhor ponto por onde subir e nao paro. Me concentro pra nao cruzar as pernas e rolar de volta. Engulo a saliva que bem podia ser meu coraçao tentando escapar gritando da jaula. O terreno se aplana. Estou onde queria e nao importa se aquela terra em que pisava estava em nome de quem quer que fosse, naquele momento ela era so minha. Apoio as maos nos joelhos e respiro aquele lugar, abro a mochila e jogo o edredom que guardei pra barraca sobre a grama. Deito e textos se jogam em abortos espontaneos  sem descanço, febril, fabril e compulsivamente. Meu auto controle se esfacelando em graos e abro a minha bermuda num impulso vermelho seguro meu pau, minhas bolas e me masturbo enquanto fecho os olhos e vejo uma onda dourada com cabeça de dragao se esfregando no meu corpo. Gemia olhando pro ceu, pras montanhas ou pro reptil que saia da minha espinha. Num intervalo de quase lucidez tento registrar qualquer coisa em fotos e boto Shine On You Crazy Diamod pra tocar, quebro a logica com sorrisos azuis e faço deles degraus para tentar morder as nuvens. Mergulho. Escurecia, olho pro relogio e calculo que se chegasse na estrada ainda poderia tentar pegar algum onibus voltando pra cidade. Levanto e estou chapado. Muito chapado. Me esforço pra me localizar e corro. A estrada esta no fim do terceiro morro. Corro e o que passa ao meu redor é mancha. É sonho derretido ganhando consistencia com shibari adrenalina. Chego no ultimo e o declinio se torna mais brusco e o chao tem tonalidades escuras. Meu pe afunda ate a metade pelo matagal e quando noto uma perna atravessa completamente a palha e me prendo na beirada do unico ponto firme que encontro. Nao existe agora nada capaz de me sustentar em que pisar e as duas pernas balançam no vacuo daquele pequeno abismo camuflado. O peso da mochila na beirada desacelera a queda e so o que penso é que nao morrerei ali, eu nunca me senti tao certo sobre algo, sobre nao querer algo. Cada buraco na palha multiplicava as sombras e as sombras me queriam, tinham fome, me puxavam  e eu podia apenas contar com a minha vontade de nao morrer e me puxar pra cima usando qualquer coisa que eu pudesse agarrar. Lembro de carros passando e da maciez da palha humida sob meu peito. Tinha me erguido mas nao estava salvo. Subo um pouco do morro e os pulmoes ardendo me fazem parar. Desabo no chao e as arvores estao tortas de LSA. Tento me acalmar e olho em volta avaliando a situaçao. Estava escuro de mais pra poder voltar e a quimica estava quase no topo. A unica coisa sensata pra fazer seria resistir ali ate amanhecer e ir embora quando o sol voltasse e e os efeitos do LSA tivessem passado. Noite. Fiz o edredom de cama e a mochila de travesseiro. Os mosquitos so nao atacavam mais porque eu passava repelente de tempos em tempos. Estava exausto e chapado. Começou uma garoa leve e o frio veio de bonus. Eu usava uma camisa fina de manga comprida sobre outra de manga curta e mais uma sobre as pernas. Troquei o boné pela touca e coloquei meias de futebol sobre as normais. A touca que sobrou virou luva improvisada. A garoa sumiu e deitei cobrindo a cabeça com o guarda chuva. Entao veio a chuva séria. Puxei o edredom pra perto e formei uma pequena ilha. O guarda chuva na era dos maiores entao eu tinha que escolher qual lado dessa ilha proteger melhor. Carros passavam la embaixo e eu poderia gritar por ajuda ou algo do tipo. Foda se. Era a minha trip e eu deveria aguenta la ate o fim. Foi horrivel no inicio lutar daquela maneira contra a chuva, mosquitos e o frio mas depois de um tempo me adaptei. Pela frequencia das gotas sacava quando estava para estiar ou quando a agua voltaria forte. Eu estava molhado e tremendo mas a partir do momento que encontrei um certo equilibrio com o local tudo ficou mais facil. Nao me senti ameaçado como antes e prestei atençao no cheiro das coisas. Lembrei de uma garrafinha de repositor energetico guardada no fundo da mochila, mijei em volta da ilha para marcar territorio e por algumas horas fui o lider e unico morador do meu pais.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Amanita M.

Andamos e andamos sob o sol da manha, trocando assepsia por cheiro de onibus lotado e poeira de estrada velha. Misturei o som dos passaros com Unkle, Orbital, Puscyfer e Madrugada. A regra do local ideal e minha primeira experiencia com cogumelos psicoativos.  O gosto seco de mofo e graos perdidos de areia quase me fizeram vomitar varias vezes.  Mais de dois meses sem drogas pela experiencia com Amanita Muscaria. O rio, a busca e o isolamento. Uma hora apos a ingestao e me agito cocainomanamente dançante chutando a agua, espantando girinos e pequenos peixes curiosos. Poucos minutos de energia indo pro descontrole e acaba. Simplesmente acaba, sem retorno. Alienaqtor deitado com a paz de tres sementes de argyreia. Alceman nos vigiando enquanto sonhava com guerreiras devassas em armaduras tao provocantes quanto inuteis. Eu devia ter me irritado mais com a quase decepçao por ter gastado tempo e dinheiro nesses fungos enteogenos mas ja sabia da sua imprevisibilidade. Ceu, inferno ou nada. Caiu em nada. Mas o nada em lugares bonitos sempre merecera o meu respeito.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Movimento No Canto Do Olho.

Todos eles cheios de mudanças, correndo em cavalos de vento, correndo pras fabricas, substituindo sangue por hostias e promoçoes. Enquanto isso, eu nao mudo. Nao quero mudar. Gosto do que sinto e como sinto. Se precisar de ajustes eles serao feitos entre um filme e uma açao patetica. Ainda com fome. Cheirar, lamber e testar com pequenas mordidas os farrapos esmaltados de vida. Se a vontade passar, eu paro.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Duas Semanas.

Auto controle, auto destruiçao e a sua estupidez. O unico trabalho edificante é aquele que te corrompe. Hora de gozar na boca de Shiva.

domingo, 14 de julho de 2013

Chega.

Um cao sujo e abstrato. Meses de isolamento trocados por autoconhecimento. Hora de voltar pra Sao Paulo. Farejar e foder.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Em Terceira Pessoa.

Escrevo como exercicio pra retomar minha consciencia de que estou aqui. A imaginaçao nao se apega. O pensamento é tao livre que cair se confunde com voar e se nao houver esforço passo dias tranquilos sem ver a luz do sol. Se fosse rico nao me preocuparia. Perdi o interesse em sexo mas toco duas ou tres por dia. As vezes acordo excitado e praticamente estrangulo meu pau ate o sono chegar. Punhetas e punhetas sem alvo definido. Existe algo patetico em foder alguem e algo de absurdamente surreal em se masturbar. O desgaste pra agradar uma pessoa pra que essa pessoa te faça gozar é a humihaçao imposta pela primeira ereçao ate a morte. Tirar porra ainda morna que ficou entre os dedos. Ler outra H.Q do Sandman. Estudos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Rearviewmirror.


Talvez eu sinta um pouco de inveja, nao pelo que sao, mas pelo que tem. Essa ignorancia ou hipocrisia sobre suas reais motivaçoes e medos. Todos se protegendo em grupos e se felicitando com neblina e cerveja, iluminados pelo sol que entra depois do ultimo bar fechar. Queria me sentir seguro acreditando na pureza que nao tenho mas como me enganar quando sei que tudo que mostro aos outros sao representaçoes em cores tao faceis de desbotar? Posso trair, abandonar ou matar quem mal terminou de me dar a mao e essa merda me corroi porque a impermeabilidade me sufoca e so com a droga certa posso fazer o ar voltar. A noite que experimentei LSD pela primeira vez e o brilho condensado de anos deu nomes e criou odisseias nas palavras e gestos no escuro ficaram compreensiveis, inegavelmente pesados mas flutuantes de significados e o verbo se fez, e a criaçao rasgou por dentro paginas de lacunas inferteis corroidas em apatia. Nao. Nao. Sempre esteve la. Preciso tocar alguem que exista alem de mim. Nada existe alem de mim. Chamas cobrem minha cabeça. Respiro fumaça e musica.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Minhas Onze Regras Sobre Como Usar Drogas.

Minhas 11 regras sobre como usar drogas.

PRIMEIRA REGRA: QUANTO MAIS TARDE MELHOR

Você só terá o melhor das drogas quando estiver preparado.  Se for jovem de mais dificilmente você terá disciplina para se controlar e carregará pouca bagagem cultural para fazer boas conexões enquanto sob efeito. Não seguindo essa regra provavelmente você estará jogando fora, logo no início, a possibilidade de ter uma experiência mais ampla e completa. Faça uma boa avaliação psicológica e descubra se existem casos de esquizofrenia ou adicção na família. Ninguém quer passar uma temporada(ou o resto da vida) internado em instituições psiquiátricas. Um exame físico completo também é indicado.

SEGUNDA REGRA: PRATIQUE ATIVIDADES FISICAS E MENTAIS REGULARMENTE
Ter o habito da pratica esportiva servirá como parâmetro para você se avaliar. Quanto mais você se afastar negativamente da regularidade pré estabelecida mais você estará indo pelo caminho errado com as drogas. O mesmo é valido para as atividades mentais.

TERCEIRA REGRA: O MOMENTO CERTO
Nunca use drogas para escapar de alguma situação infeliz. Todo uso deve representar algo positivo: uma celebração ou busca por auto conhecimento(ou ambos). Se drogar para fugir dos problemas é a melhor maneira de se tornar um viciado.

QUARTA REGRA: O TESTE DO ÁLCOOL
Saia com amigos e vá beber. A forma como você ira se comportar alcoolizado muito provavelmente indicara seu comportamento com outras drogas. Seu auto controle, seu nível de inconveniência etc. Se você virar um babaca com álcool é quase certo que também irá virar um estorvo com outras drogas. Mas as babaquices podem variar. Se você bebeu e ficou tranqüilo e feliz(sem querer mais e mais doses) então poderá tentar outra substancia.

QUINTA REGRA: PESQUISE
Absorva todas as informações possíveis sobre a substância que chamou sua atenção: Efeitos. Historia. Riscos. Quanto mais você souber mais tranqüilo ficara. Mas lembre se: sempre existe o risco de algo dar errado. Nem aspirina é 100% segura.

SEXTA REGRA: SAIBA A PROCEDÊNCIA
Nunca use nada sem saber qual a fonte. Se for uma droga de farmácia isso não será grande problema mas quando for através de um traficante tudo muda. Praticamente nenhuma droga vem pura quando se trata de traficantes, por isso, descubra através de varias pessoas qual é o mais confiável. Mesmo assim fique esperto. O que mais tem por ai é gente suja vendendo placebo ou veneno.

SÉTIMA REGRA: O LOCAL IDEAL
Cada droga pede um ou mais locais diferentes para maximizar seus efeitos e todos eles devem ter uma coisa em comum: serem propícios para você explanar. Lembre sempre disso: não existe graça em se drogar se você não puder ser você mesmo sob o efeito da droga. Nada mais idiota que estar sob influencia e ficar com medo de alguma amiga da namorada ou da família te ver chapado. Sem falar do maior cortador de brisas conhecido: a polícia. Nem todo policial é um sádico corrupto mas aqueles que são poderão transformar o seu momento de êxtase num inferno.

OITAVA REGRA: VÁ COM UM GUIA
Alguém que conheça os efeitos(bons e ruins) da substancia que será usada. Ele será seu porto seguro na viagem. Se não tiver um seus riscos serão maiores.

NONA REGRA: SEGURANÇA E CONFORTO
Sempre vá com amigos que tenham como te levar direto pro hospital caso algo de muito errado, o que significa que alguém obrigatoriamente devera estar sóbrio(completamente de preferência). Leve também remédios(os que forem indicados para aliviar problemas referentes as substancias usadas). Ter água e comida por perto é recomendável. Dependendo da força da brisa você não terá a menor vontade de sair de onde esta pra ir até um super mercado.

DÉCIMA REGRA: DESCANSE
Tente planejar sua trip para uma véspera de feriado ou nas férias. Trips intensas irão desgastá-lo física e emocionalmente. Seu sistema imunológico poderá ficar em baixa e daí pra ficar doente é fácil.

DÉCIMA PRIMEIRA REGRA: DÊ LONGOS INTERVALOS
As drogas estão entre as mais intensas experiências que um ser humano pode ter. Use as todos os dias e você transformará algo extraordinário em algo banal.

sábado, 8 de junho de 2013

Onion.

Poderia fingir mas nao é esse o meu papel. A artificialidade ficou com voce, portanto, que voce saiba sustenta la pelo maior tempo possivel. Fique um mes sem se depilar, puta, e depois conversaremos sobre a doce feminilidade das bocetas. Pinte nos meus ouvidos suas opinioes sinceras que passarei o resto da vida comendo o cu de travecos neuroticos. Queria ser zoofilo ou fodedor de cadaveres pra nao ter que meter em algo que nao ve a diferença entre ter merda na boca, um sonho pisado e olhos cortados.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Meia Noite Em Maio.

Sera como foder com uma guilhotina em queda. Entrar em voce ira me dividir e costurar fatias fara tudo ainda pior na proxima vez. Talvez eu coloque Pearl Jam pra abafar seus gemidos imperfeitos. Talvez eu goze  e me limpe na sua cara. Nao é esperma, é vomito.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Anastasis.

Sentir. Experimentar ate encontrar a desconstruçao e se remontar com peças puras. O coraçao ainda acelerado e lembranças que quase nao sao minhas, mas sao. As sementes de argyreia, tao pequenas, e eu gritando no meio de um sonho. No inicio o enjoo depois cores e texturas acentuadas e pronto. Havia escolhido o local perfeito no clima ideal, sem estranhos por perto e toda a liberdade para poder me jogar no que viesse. Urubus ou gaivotas eram harpias e cavalos ou bois poderiam ser tanto dragoes como unicornios. A sensaçao de deslumbre deslocada para onde eu quisesse porque eu programava e vivia o que teria peso para mim. Diferente de outras drogas o lsa fez com que eu nao me importasse com riscos ou com o que quer que seja porque nao se deve temer um sonho como aquele. Um amigo foi de segurança. O ideal depende da precauçao quando se trata de substancias especiais. So crianças e idiotas nao se previnem para uma trip. Nada mais era o mesmo, principalmente eu, ou talvez aquele fosse o meu eu sem camadas de proteçao. Provavelmente. O tempo nao fazia sentido. Marroquino estava chegando e iriamos de la pra praia. Eu ficaria onde estava ate o fim de eras. Eu vivia eras e sobrecargas do agora, do presente em inundaçoes continuas. No carro escolhiam uma musica e um canto, um mantra e eu disse numa voz perdida: ISSO! Fui conduzido pela voz e a voz me conduzia porque o som era solido e eu deslizava por ele. A cor o e o descontrole absoluto. A razao se foi. Azeredo me levou ate seu apartamento para pegarmos nossas coisas e enquanto esperava por ele outros mantras saiam da minha boca. Eu nao conseguia parar. Enquanto cantava as vibraçoes da minha voz me lançavam em outro tunel e esse tunel era a sintonia fina de tudo ao meu redor.  O coraçao batia querendo sair do peito e naquele ponto a morte nao era mais sinonimo de medo.

Link pro video: https://vimeo.com/66944853

terça-feira, 14 de maio de 2013

Folhas E Fotofobia

Hoje eu acordei de dia e isso foi estranho e agradavel. Deve ter sido a primeira vez que senti sede de sol. Existe beleza antes da noite.