segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Dança De Acasalamento Do Panda Chapado.



Raves. Embora as vezes eu passe em algumas elas de certa forma ainda sao um misterio pra mim e a unica funçao obvia que vejo nelas é a possibilidade de um grande publico poder se drogar sem que pais e conhecidos incomodem. Nas ultimas que participei tive que assistir homens e mulheres extremamente sarados fazendo cara de qualquer coisa menos de quem ta curtindo o som numa dança ritualistica pra formar um par ideal pra que assim pudessem ficar na pista de maos dadas e sem nenhuma interaçao alem do basico. Bonecos esculpidos com varias horas por dia de academia e muito tedio. Saca espontaneidade? Ja era. O outro grupo é formado pelos chapados assexuados. Nao se tocam ou se olham, o unico motivo de estarem la é a musica na vibe da quimica como se sexo fosse algo sujo e indigno pro verdadeiro fan de musica eletronica. Realmente acredito que o publico atual de rave deveria passar um tempo em bailes funk do Rio ou festas de Sertanejo para aprenderem sobre como interagir com o sexo oposto. Odeio funk ou sertanejo mas nessas baladas tem pegada de verdade. A mulher olha com cara de quem sabe o que quer, voce chega e nao precisa falar muito. Isso se a mulher nao encostar em voce.  Podem ser uns idoitas mas ao menos tem um contato muito mais franco com a sexualidade. Melhor ainda: poderiam fazer estagio em boas baladas GLBT onde musica, sexo e drogas combinam perfeitamente. Ainda me lembro da ultima rave. As garotas olhavam pra mim por menos de um segundo, davam umas voltas pra terminar dançando perto o suficiente para eu ficar na duvida se elas estavam dando mole ou se foi so um movimento aleatorio. Pior quando usam oculos escuros enormes e viram pra sua reta. Qual o problema do olho no olho?? Parece que estao cada vez mais reprimidas sexualmente. Ou drogadas de mais para sairem do seu mundo idealizado. Como que heterossexuais nao pensam em suicidio 24 horas por dia?

2c-e Do Vazio Ao Tesao De Um Cão Lisergico.

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Alguns eu conhecia e outros nao. Todos na van prum local tao distante que nem o motorista sabia chegar la. Bom humor, gritaria e bebedeira. A  boa quimica ficaria pra mais tarde. Seria a minha estreia no 2c-e e depois de ler certos depoimentos acabei ficando meio preocupado. A van se perdeu, se encontrou e paramos no sitio. Tarde pra caralho e os portoes ainda fechados. Geral fazendo suas compras e dropando pras horas alegres. Segurei o meu. Precisava sacar a parte interna pra calcular as possibilidades de vibe. Definitivamente essa turma se satisfazia com pouco. Lugar feio estilo grande garagem abandonada do seu tio avo. Varias velas espalhadas teriam um efeito melhor do que as luzes de la. Um dia devo promover uma festa para ensinar como explodir de verdade os sentidos. Cidade pequena é foda. Andrei foi de 25c, Garota Tatoo, Nay Nay e Novata de 2c-p. Arrisquei e engoli o 2c-e. Foda se a trip alheia de foruns gringos. O que vier eu vou domar mas se intoxicar de mais so me isolando. Hospital seria luxo. Duas horas depois Novata abria seus primeiros sorrisos sem certeza do que estava por vir e eu cada vez virava mais uma folha seca deslizando num cenario lisergico. Imagine voce vendo os efeitos psicodelicos do LSD mas com seus sentimentos embotados e absurdamente superficiais. Se essa fosse a pira da noite eu ficaria realmente desapontado. Meu ego diminuia a ponto deu ser um observador oco da festa alheia. Ego death na roça nao é a minha perspectiva de diversao. Parei perto de Andrei e suas garotas e dei um tempo pra ver se mudava. Mudou. O que eu via estava fazendo conexoes emocionais comigo e aquelas pessoas dançando viraram a representaçao do mais belo caos. Pulavam e gesticulavam, flertavam e eram ignorados, suavam, quebravam pirulitos em suas chuvas internas de serotonina e liberavam psicoses nos braços de Alice. Shulgin estava presente e havia nos adotado. Minha coordenaçao motora caiu pela metade e escolhia meus passos como quem tinha acabado de engatinhar. Colei na area mais agitada e aos poucos fui imergindo no aquecimento de personalidades dissolvidas e batidas hipnoticas. Me afastei e reparei na absurda beleza de varias pessoas. Engraçado que com o 25c elas ficavam tao alteradas que pareciam caricaturas de traços absurdamente exagerados mas no 2c-e o que mais chamava a minha atençao era a beleza. Quem era feio ficava quase invisivel mas os belos e belas ficavam obsessivamente em destaque. Sentei ao lado da Garota Tatoo quando uma gota caiu na sua perna coberta de desenhos. Em menos de dois segundos imaginei como seria passar de leve a lingua na marca dagua, morder a sua pele aos poucos e destaca la daquela coxa como quem tira a pele de um amanita muscaria pra fumar. Eu fumaria alegremente aquela pele tatuada. Sai do transe e Novata estava quase na minha frente, dançando como Shiva e suando e me jogando em novo transe onde eu bebia seu suor ate sumir com minha boca entre suas pernas. Meu tesao pela Novata era algo que so quem ja dropou pode entender. Meu pau nao estava la mas eu queria quase desesperadamente tirar seus short branco e foder com ela bem ali na frente de todos. Como? Nao tenho a menor ideia. Voltei pra cidade de onibus com Andrei, Garota Tatoo e Nay Nay. Meus olhos sobrecarregados de brilhos e cores sem controle.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

11mg De 2c-p E O Silencio.


Sempre que me drogo procuro com isso tirar alguns filtros para perceber algo novo de maneira ainda mais inedita, mas a pessoa que percebe sempre sou eu. Minhas experiencias moldando paisagens. Parti com Marroquino prum fim de mundo agradavel, acampamos e tomei 11mg de 2c-p. Primeira vez. Toda quimica desconhecida é uma promessa de possibilidades excitantes. Por mais que tivesse lido relatos de pessoas sob essa influencia e soubesse que a minha fonte é uma das melhores o fato de nunca ter estado la soltava adrenalina no meu sistema praticamente insone. Duas horas aproximadamente apos a ingestao e deitei numa rocha com meus pes tocando a agua do riacho e notei que as nuvens se agrupam em camadas. Umas baixas e outras quase em outro ceu. Uma gigantesca comunidade de nuvens. Galhos de arvores antes de tudo e tudo em tons mais escuros, quase como num sonho noir e a sua persona se afastava mais de mim. Uma irrealidade de quem caminha entre a chuva inexistente numa tarde de verao. Fomos ate o topo de uma pedra e sentei. Marroquino voltou para pegar a maconha na barraca e pensamentos tomavam varias formas. Engraçado que a maneira  de pensa los nao parecia minha. Era como se um outro cerebro pensasse com as minhas memorias. Tirei folga de mim mesmo mas essa adaptaçao pro outro eu era desgastante. Desci a pedra e fiquei surpreso com minha coordenaçao motora precisa. Nunca aconteceu isso comigo com outra droga. Eu estava na trip mas o corpo parecia nao se importar e essa trip nao explodia como o 25c-nbome mas se mantinha estavel e nessa estabilidade incontaveis situaçoes poderiam ser exploradas. Nao havia a necessidade de se jogar em momentos de pico ja que essa estabilidade dava a segurança daquilo que estara la por muito tempo. Com a noite fizemos a fogueira e a chama me trazia mais paz que excitaçao. Foi um contato com algo antigo, familiar e necessario. Na madrugada enquanto Marrocos dormia fiquei entre a cachoeira e as montanhas, sem lua mas acompanhando vaga lumes fazendo a corte. Praticamente nada podia ser visto mas eu sentia o lugar com calma e conforto. Encostei proximo da agua que corria e me masturbei fazendo um brinde ao silencio. No inicio da tarde no caminho de volta eu estava leve e com um senso se apreciaçao estetica muito afinado e levemente onirico. Provavelmente ainda um pouco chapado. Encaro o 2c-p como uma substancia pra usuarios de nivel medio ou avançado. Ela tem sutilezas que podem passar despercebidas por baladeiros de fim de semana. Uma droga pra ser degustada com calma e atençao.