domingo, 22 de setembro de 2013

Praia, Banheiro Sujo e Psilocibina.









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Eu tinha 3gr de Panaeolus Scyanescens e um tedio cantando suicidio na cabeça. Sexta feira de manha, sol limpo la fora e ninguem que preste pra chamar. Idiotas na agenda, idiotas no face book e idiotas nas calçadas correndo pra cruz mais proxima. O cogumelo tinha cara de mato muito, mas muito seco mesmo. Me imaginar comendo aquilo ja parecia doentio. Ate uns dias atras eu ate vinha pensado em fazer a trip na area do Alexandre Mury mas quando conheci o cara pessoalmente escutei o barulho da descarga. Artistas. Pessoas desesperadas pra tampar com tecidos finos a merda que vaza das coxas. Aparencia, aparencia e aparencia. A sujeira cheirava como devia e ele fez aquele sorriso nervoso e amarelo. A verdade dessa gente é a imagem controlada do click da camera, da maquiagem precisa feita em estudio no tesao melado de algum diretor no esforço de sorrir subversivo educado e ansioso pra participar de comerciais em horario nobre e quem sabe uma novela de grande audiencia. Descartavel. Praia! Depois de ter experimentado o kratom sem ganhar nenhum up em troca fiquei meio desconfiado. Mas o dia tava realmente chamativo e depois de um onibus e duas vans cheguei la. O estado do Rio pode ser campeao em gente tosca mas as suas praias menos populares sao fantasticas quando estao vazias. Sao otimas pra tripar sozinho. Cheguei e praticamente nao tinha ninguem la fora alguns pescadores. Abri o plastico e subiu um leve perfume de cu. Sera que esses vieram direto do pasto? Foda se. Paguei caro por eles. Segurei uns e mandei pra dentro. Gosto de cu. Cu crocante. Sentei e respirei a o local pra evitar o vomito. Gaivotas, agua quente correndo pelos pes e moinhos enormes girando la longe. Andei pela areia e fui sentindo uma integraçao solitaria e onirica com aquele vazio. Me impressiona como a solidao pode ser solida e capaz de me preencher. Nem quarenta minutos e os efeitos ja estavam chegando? Seria placebo se eu ja nao tivesse me jogado no chao pela força da vibe. Foi absurdo. Bolhas de cores se juntavam criando imagens e a plasticidade era completamente organica. Ali deitado vinha uma corrente forte de vento e areia e a areia me machucava e lutei contra a inercia do corpo e a viagem acelerada da mente. Os padroes de bolhas cores ganharam definiçao e pessoas e objetos viraram perfeitos desenhos de Alex Grey. Levantei pra me encostar numa arvore. Estava perdendo o controle. Praticamente nao conseguia mais falar e onde o sol batia ficava insuportavel pros meus olhos. Vi um mapa da minha vida emocional e num determinado ponto havia um caos absurdo, a sujeira de uma explosao e destroços espalhados. Cheguei mais perto e ao tocar nesses pedaços retorcidos veio uma dor imoral e pungente. Nao sei se me contive, talvez eu tenha chorado ali ou talvez so expressoes de desespero quando um senhor em forma de manchas instaveis perguntava se eu estava bem. Ele foi se afastando e junto com ele essa agonia. Na minha frente um banheiro abandonado, um refugio escuro e talvez imundo mas tudo que eu queria era uma ilha, uma fortaleza anti fotofobia e padroes aleatorios agressivos. Cambaleando fui entrando e me surpreendi pela limpeza ao redor. Poeira e manchas suspeitas mas sem poças de mijo ou papeis borrados. Peguei o celular e as letras e numeros afundavam dentro do aparelho, mudavam de ordem e significado, saltavam luzes azuis do meu pulso e essas luzes eram sugadas pelo telefone e do telefone tambem saiam luzes que eram absorvidas pelo meu braço e eu estava de olhos ABERTOS. Me fechei num box e deitei novamente. Todo o lugar trocava informaçoes entre si com luzes palidas ou mais acentuadas e o teto convulsionava harmoniosamente como nebulosas dançantes. A decadencia ambiente era uma ilusao porque havia uma beleza oculta e firme pros meus olhos de psilocibina. Passei meus pes incontaveis vezes naquelas paredes pra limpa los da minha sujeira. O filtro do mundo havia caido num novo nivel e a insanidade passava a lingua em meus ouvidos.

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